A fazenda centenária que resiste no cultivo do café

A fazenda centenária que resiste no cultivo do café

Angola
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Com 102 anos de existência, Cabuta é uma fazenda do município do Libolo com o ADN na produção do bago vermelho. Este ano os níveis de produção atingiram 650 toneladas de café comercial, mas o desafio é esticar a cifra. A combinação entre o turismo

e a agricultura tornou-a num dos maiores empregadores do município.
Desde a recuperação do seu potencial agrícola em 2004, a fazenda Cabuta passou a atingir uma média de colheita anual do café superior a 500 toneladas, dependendo da quantidade de chuva que cai na região.
Situada a 25 km da sede do município do Libolo, a Fazenda Cabuta ocupa um espaço de 17 mil hectares, 3 mil dos quais cobertos pela vegetação do cafezal que este ano chegou às 650 toneladas de café comercial.
Por ano, é preparado um viveiro de 30 mil plantas, o mesmo número de mudas que é levado à terra para serem colhidas 4 a 5 anos depois, quando atingem o amadurecimento, segundo explicou o engenheiro Vladimiro de Carvalho.
Num outro espaço, foi criada uma reserva de 50 mil mudas para elevar os índices de produção nos próximos anos. No município do Libolo existem 380 fazendas de café, mas apenas a Cabuta funciona com uma produção regular há dois anos, por isso quer tornar-se um dos líderes na produção do bago vermelho para voltar a colocar Angola nos lugares cimeiros e atingir o níveis registados na época colonial.
Aqui, o café aqui é visto como ouro, tem um tratamento especial, tanto dos camponeses como dos técnicos responsáveis pela fazenda, não apenas pelos rendimentos que anualmente gera, mas também pelos gastos que comporta desde a sementeira até ao terreno definitivo com o plantio.
“Mil mudas de café custa-nos cerca de USD 500 mil. Por isso, essa planta deve ser bem tratada, porque tem custos elevados até chegar ao nível do plantio”, explica o engenheiro Vladimiro Carvalho, um dos responsáveis da fazenda.
A Cabuta tem mais de um século de existência e, até 1992, era propriedade de fazendeiros alemães, explicou José Caldeira, gerente da fazenda. Aliás, uma das provas da longevidade deste local são alguns cafeeiros com mais de 50 anos de vida, cultivados ainda no tempo colonial, que, apesar da idade, ainda geram novas sementes que todos os anos contribuem para uma cifra de 500 toneladas.
Este ano, a produção do café comercial atingiu as 650 toneladas, mas os seus responsáveis anseiam aumentar, de ano para ano, a quantia de plantio e colheita. Embora seja considerável, a cifra ainda não satisfaz os cafeicultores de Cabuta, que querem tornar o Libolo num dos maiores centros de produção de café de Angola, para que o país volte a atingir os níveis alcançados no tempo colonial. No município do Libolo, reafirmam, existem 380 fazendas de café, sendo que apenas a Fazenda Cabuta funciona com uma produção regular desde há dois anos.
A fazenda já produzia café do tipo arábica, o mais caro em termos comerciais. Contudo, face a constrangimentos de vária ordem, a sua produção foi interrompida, porém, para a presente época agrícola, José Caldeira garantiu que a fazenda tem tudo preparado para produzi-lo.
Quanto ao café robusta, o responsável frisou que o mesmo já é exportado, estando mesmo em condições de competir em pé de igualdade com o produto de outros países do mundo no capítulo da qualidade.

Uma fábrica de múltiplas funções

As condições para o aumento da produção parece estarem criadas, com a instalação de uma máquina de processamento do produto, o que lhe permitirá alinhar-se aos padrões modernos da cultura do café. Todo o equipamento está preparado, designadamente para a secagem, descasque, processamento, até a embalagem, tanto em grãos como moído, revelou o responsável pela produção do “Café Bela Negra”.

Segundo Vladimiro de Carvalho, o equipamento consegue descascar até 15 toneladas por hora e, simultaneamente, detectar e eliminar todas as impurezas entre o cereal. Com uma capacidade de limpar 20 toneladas por hora. A fábrica, instalada na Cabuta, é multifuncional, ou seja, para além do processamento de café, é capaz de processar todo o tipo de cereais, como arroz, milho, trigo e feijão.

Funcionários

Na Cabuta trabalham 1200 funcionários, todos nacionais, entre eventuais e efectivos, que oscilam em função das fases da produção, ou seja, na fase de plantio e colheita do café:

A necessidade de mãode-obra é maior nesta última e por esta razão são recrutados mais indivíduos nas aldeias vizinhas. Zé Caldeira refere que para a fase de capina contam com 700 trabalhadores, que na fase da colheita chegam aos 1200, número este que se reduz a 400 na fase da poda das plantações.

A comuna da Cabuta, onde está sedeada a fazenda, vive essencialmente da agricultura e parte dos camponeses consta dos 100 trabalhadores efectivos da Cabuta, segundo o gerente da fazenda. Entre eventuais e efectivos, este local é considerado o maior empregador da comuna e um dos principais do município do Libolo rota do café para incentivar a produção.

A empresa

Angonabeiro em parceria com Social Team, tem feito digreções em diversas partes do país em que a produção do café é possível, para impulsionar a produção deste produto no país e colocá-lo nos lugares cimeiros do mundo.

É a empresa responsável pela produção do Café Ginga, com uma produção anual de 200 toneladas, liderando o mercado de cafés torrados em Angola e promovendo a produção de café verde, mediante a compra aos pequenos e médios produtores.

Segundo Joana Miranda, da Angonabeiro, o objectivo da sua empresa é resgatar a identidade, a história e a cultura do café em Angola, razão por que apostou na compra de café verde de pequenos agricultores para incentivar a produção.

Esta empresa possui uma fábrica de processamento do Café Ginga que facilita a produção destinada a exportá-lo para Portugal, Cabo-Verde e Estados Unidos da América.

Fonte:da Redação e Por angonoticias.com
Reditado para:Noticias do Stop 2018