
No extremo noroeste da Austrália, em Port Hedland, entrou em funcionamento uma locomotiva que quer reescrever as regras do transporte pesado na mineração. Desenvolvida pela Progress Rail, a EMD SD70J‑BB é apresentada como a maior locomotiva elétrica a baterias do mundo e, ao contrário de tantos “concepts”, veio para
trabalhar numa operação real da Fortescue.
Se o desempenho corresponder às promessas, estamos perante um daqueles saltos que a indústria mineira raramente dá, mas que podem influenciar todo o ecossistema ferroviário de carga.
A plataforma Joule desta SD70J‑BB foi pensada para ambientes extremos e cargas constantes. O destaque vai para o pack de baterias que, consoante a configuração, pode atingir 14,5 MWh de capacidade, ou seja, uma ordem de grandeza que coloca a locomotiva num patamar muito acima do que vemos em material circulante urbano. O conjunto assenta numa arquitetura de oito eixos, desenhada para distribuir melhor o peso sobre a via, reduzir desgaste e maximizar a tração em comboios de minério. A documentação da Progress Rail aponta um peso total entre 245 e 265 toneladas, variação que depende da especificação final e dos módulos instalados.
Maior locomotiva a baterias do mundo estreia na Austrália
Antes de chegar à Austrália Ocidental, a locomotiva partiu de Sete Lagoas, no Brasil, e viajou por mar com escala na África do Sul. Este tipo de logística é típico de equipamentos únicos em fase de introdução: não é uma entrega de frota, é uma implantação gradual. Na prática, significa que o próximo capítulo será escrito em via: testes operacionais, afinações e integração no calendário exigente do minério entre as minas do interior e o porto de exportação.
A Fortescue classifica estas unidades como Battery Electric Locomotives (BEL). O princípio é simples de descrever e complexo de executar: energia armazenada em baterias, motores elétricos para a tração e um sistema de travagem regenerativa que devolve parte da eletricidade ao pack quando o comboio abranda. Em linhas com perfis altimétricos marcados, como as que descem carregadas até à costa e sobem vazias de regresso, o ganho pode ser substancial. A empresa fala em recuperar 40% a 60% da energia em determinados cenários, sempre dependente da carga, do traçado e da estratégia de condução.
Para além da poupança de combustível, há um benefício imediato para quem trabalha em redor destas máquinas: o ruído. A Progress Rail indica níveis abaixo dos 70 dB em operação, substancialmente inferiores aos de uma locomotiva diesel em arranque ou manobras a baixa velocidade. Menos barulho e vibração significam melhor comunicação no terreno, menos fadiga e um impacto ambiental mais baixo nas áreas operacionais e comunidades vizinhas.
Sd70j Bb 4
As locomotivas diesel dominam a mineração porque oferecem autonomia previsível e uma cadeia logística amadurecida. A alternativa elétrica troca depósitos de gasóleo por gestão de energia, planeamento de cargas e janelas de recarga. Em contrapartida, elimina componentes de combustão (filtros, óleos, sistemas de escape), simplificando parte do calendário de manutenção e reduzindo tempos de paragem não planeados por falhas mecânicas típicas do térmico. A grande condicionante passa a ser a infraestrutura elétrica: potência disponível, redundância e a orquestração das recargas para não estrangular a operação.
A Progress Rail, adquirida pela Caterpillar em 2006, tem no portefólio locomotivas diesel, híbridas, a baterias e projetos ligados ao hidrogénio. Colocar a SD70J‑BB no centro de uma ferrovia de minério é um teste de fogo: se o conceito vingar aqui, onde as exigências são máximas, a adoção no resto do mercado de carga pesada acelera. Para a Fortescue, a aposta encaixa no plano de descarbonização da cadeia logística do minério, uma das mais intensivas em energia do planeta.
Se a SD70J‑BB provar que consegue puxar toneladas de minério com fiabilidade, silêncio e custos energéticos menores, assistiremos a uma transição faseada do diesel para a eletrificação sem catenária em corredores específicos.
Fonte:da Redação e da maistecnologia.com
Reeditado para:Noticias do Stop 2025
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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