
Os EUA lançaram um “ataque em grande escala” contra a Venezuela na madrugada de sábado e afirmaram que o presidente Nicolás Maduro e a sua esposa foram capturados, mas isso “não significa ainda a queda do regime”. “Há que esperar”, dizem à Euronews membros das comunidades luso-venezuelanas.
O anúncio da operação “extraordinária” foi adiantado por Donald Trump, que se encontra em sua residência de golfe, Mar-a-Lago, na Flórida, por meio da rede social Truth Social.
A autoridade legal para o ataque não está clara, tão pouco a prisão de um governante no seu próprio país. Na rede X, têm surgido várias mensagens de senadores dos EUA a afirmar que o Congresso não foi consultado, logo, a “operação militar em larga escala” anunciada por Trump não obteve aprovação.
Mas avançou dentro de um outro quadro legal, de acordo com o que foi explicado ao senador Mike Lee, esta ação militar “provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente, nos termos do Artigo II da Constituição, de proteger o pessoal dos EUA de um ataque real ou iminente”, escreveu o senador na rede X, após uma conversa com Marco Rubio.
Maduro indiciado por "narcotráfico" no distrito sul de Nova Iorque
Depois de capturado em Caracas, juntamente com a sua mulher, Nicolás Maduro foi transportado para Nova Iorque, onde será formalmente indiciado por "narcotráfico", avançou a Procuradora-Geral, Pamela Bondi.
O presidente venezuelano e a sua esposa vão ser acusados de "conspiração para o narcotráfico, de conspiração para a importação de cocaína, de posse de metralhadoras e de dispositivos destrutivos, e de conspiração para a posse de metralhadoras e de dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
"Em breve, eles enfrentarão toda a ira da justiça americana em solo americano, nos tribunais americanos. Em nome de todo o Departamento de Justiça dos EUA, gostaria de agradecer ao presidente Trump por ter tido a coragem de exigir responsabilidade em nome do povo americano e agradecer aos nossos bravos militares que conduziram a incrível e altamente bem-sucedida missão para capturar estes dois supostos narcotraficantes internacionais”, escreveu a PGR norte-americana no X.
População na Venezuela aguarda com expeCtativa pelos próximos desenvolvimentos
Apoiantes exibem um cartaz do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela, no sábado, 3 de janeiro de 2026, após a sua detenção
Apoiantes exibem um cartaz do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela, no sábado, 3 de janeiro de 2026, após a sua detenção Cristian Hernandez/Copyright 2026 The AP. All rights reserved
A captura e detenção do presidente da Venezuela deixaram a população num misto de esperança e expectativa, pois, por um lado, a detenção de Maduro pode resultar na queda do regime e na sua viragem. Por outro lado, pode dar lugar à violência.
Em conversa com a Euronews, Christian Useche, venezuelano residente em Portugal, diz que a sua família está em segurança e “à espera de ver o que acontece” a seguir. “Estão otimistas, mas, infelizmente, acham que o caos inicial possa vir a gerar violência”, receia.
Para este cidadão venezuelano que vive na diáspora, ainda “não está claro o que pode acontecer”, embora considere a saída de Maduro algo positivo, “ainda têm o vice-presidente lá” e, por isso, o melhor é “esperar para ver o que acontece”.
Da mesma opinião é Fernando Campos, conselheiro da comunidade portuguesa na Venezuela, que, em resposta à Euronews, sublinhou que o regime continua, apesar da detenção de Maduro. “Há outras pessoas no poder e, por isso, o regime não caiu. É preciso esperar. É uma situação complicada que não é fácil de resolver”, disse Fernando Campos, que veio a Portugal passar a quadra natalícia com a família.
Líder da oposição ao regime de Maduro e Nobel da Paz diz que chegou a hora
A líder da oposição e Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, afirma, num comunicado publicado nas redes sociais, que chegou a hora da soberania popular prevalecer na Venezuela, mencionando a libertação de presos políticos e o regresso dos exilados.
Chegada à ala mais conservadora e populista, Corina Machado, reconhece Edmundo González Urrutia como presidente legítimo e comandante das forças armadas após as eleições de 28 de julho. A laureada com o Prémio Nobel da Paz apela aos venezuelanos, dentro e fora do país, para que se mantenham preparados para uma transição democrática. Contudo, a população, embora considere a mudança positiva, apresenta algumas reservas em relação a ela. "Eles [a população] confiam na oposição da senhora Machado, o que ela estava a tentar fazer, mas não se sabe se isto terá outro tipo de consequências", acrescentou Christian Useche.
União Europeia pede contenção
António Costa e a chefe da diplomacia europeia pediram contenção. Kaja Kallas conversou com o secretário de Estado dos EUA a quem pediu contenção.
“Falei com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o nosso embaixador em Caracas. A UE está a acompanhar de perto a situação na Venezuela.
A UE afirmou repetidamente que o Sr. Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados. Apelamos à contenção.
A segurança dos cidadãos da UE no país é a nossa principal prioridade”, escreveu Kallas.
O Presidente da Comissão Europeia, António Costa, e a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, também expressaram preocupação sobre os recentes eventos na Venezuela. Na rede X, Costa disse estar a acompanhar a situação de perto e pedir contenção.
“Estou a acompanhar a situação na Venezuela com grande preocupação. A União Europeia apela à desaceleração do conflito e a uma resolução que respeite plenamente o direito internacional e os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas.
A União Europeia continuará a apoiar uma solução pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela”.
Rússia condena ataque dos EUA como “ato de agressão armada”
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou o que chamou de “ato de agressão armada” dos EUA contra a Venezuela em comunicado publicado no seu canal do Telegram no sábado.
“A Venezuela deve ter garantido o direito de determinar o seu próprio destino sem qualquer intervenção externa destrutiva, muito menos militar”, diz o comunicado.
O ministério apelou ao diálogo para evitar uma nova escalada e afirmou reafirmar a sua “solidariedade” com o povo e o governo venezuelanos, acrescentando que a Rússia apoia os apelos para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Brasil e Colômbia preparam plano de contingência
O Presidente da Colômbia foi dos primeiros líderes mundiais a repudiar a “operação militar” dos EUA em Caracas. Gustavo Petro disse que o seu governo “observa com profunda preocupação os relatos sobre explosões e atividade aérea incomum registados nas últimas horas na República Bolivariana da Venezuela, bem como a consequente escalada de tensão na região”. Petro anunciou ainda o reforço das suas fronteiras como “medida preventiva”.
“O Governo Nacional tomou medidas para proteger a população civil, preservar a estabilidade na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela e atender oportunamente a eventuais necessidades humanitárias ou migratórias, em coordenação com as autoridades locais e os órgãos competentes”.
O Brasil também está a preparar medidas semelhantes. Lula da Silva classificou a captura de Maduro como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional” e apelou à comunidade internacional para que responda através das Nações Unidas.
“A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”.
A ação militar americana que Trump classificou como “impressionante e rápida”, que tirou o líder em exercício de um país do cargo, ecoou a invasão dos EUA ao Panamá, que levou à rendição e à captura do líder panamenho, Manuel Antonio Noriega, em 1990 — exatamente há 36 anos, também num sábado.
Fonte:da Redação e da euronews.com
Reeditado para:Noticias do Stop 2026
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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