FCC proíbe drones estrangeiros, incluindo DJI: o que muda?

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À beira do Natal, os Estados Unidos avançaram com uma medida que agita o mercado global de drones: a inclusão de equipamentos estrangeiros numa lista de restrições que, na prática, impede novas autorizações de venda no país.

A gigante chinesa DJI, líder destacada do setor, está no centro do tema. O ruído é grande — proibições, segurança nacional, concorrência — mas, para quem já tem um drone ou está a pensar comprar, o que realmente muda?

O que mudou e por que razão aconteceu
A autoridade reguladora das comunicações nos EUA (FCC) acrescentou drones e componentes fabricados no estrangeiro a uma lista de equipamentos restritos. O racional apresentado é a proteção da segurança nacional, com o argumento de que determinados sistemas podem representar risco para dados críticos e infraestruturas. Em termos práticos, isto trava a aprovação de novos modelos e componentes dessas marcas para comercialização no mercado norte‑americano.

Não é uma decisão que surja do nada: há meses que se falava nesta possibilidade e a indústria vinha tentando mitigar o impacto. A DJI, que domina a quota global, procurou cumprir auditorias e clarificar procedimentos para afastar suspeitas, mas a decisão avançou na mesma. O resultado imediato é incerteza para futuras aprovações e uma remodelação forçada das estratégias comerciais nos EUA.

FCC proíbe drones estrangeiros, incluindo DJI: o que muda?

Já tenho um DJI: posso continuar a voar?
Sim. Para proprietários de drones já autorizados, a FCC esclareceu que o uso continua permitido. Se já tem um DJI (ou outro equipamento abrangido) legalmente comprado e autorizado, pode continuar a operá‑lo. O mesmo se aplica a unidades já aprovadas e em stock no retalho norte‑americano: podem ser vendidas. Não estamos perante uma recolha, nem uma desativação remota dos equipamentos existentes.

Para lá da fronteira dos EUA, pouco muda no imediato: quem voa em Portugal ou noutros países europeus continua sujeito às regras locais (AAN/ANAC e EASA), com registo de operador, formação, seguros e limitações de espaço aéreo como de costume.

Compras, garantias e assistência técnica
Uma preocupação comum é o pós‑venda. A DJI afirmou que continuará a servir o mercado sob o novo enquadramento. Isso inclui assistência, reparações e software para modelos já autorizados. Também é expectável que retalhistas e centros de serviço mantenham peças e consumíveis, especialmente para linhas populares como a Mavic, Mini e Air.

Onde poderá sentir impacto? Em novos lançamentos. Determinados modelos que venham a ser anunciados poderão demorar mais a chegar (ou nem chegar) ao mercado norte‑americano, condicionando ecossistemas de acessórios, stocks e campanhas. Contudo, na UE o calendário de disponibilidade costuma ser diferente do dos EUA, pelo que os consumidores europeus poderão continuar a ver lançamentos e atualizações dentro da normalidade regional.

Quem usa drones para trabalhar: riscos e planos B
Para operações profissionais — inspeções, agricultura de precisão, mapeamento, segurança pública — o mais crítico é a previsibilidade. Se trabalha com frotas e contratos de SLA, planeie alternativas e valide compatibilidades de software. Plataformas de missão, SDKs e fluxos de dados devem ser revistos para assegurar continuidade, sobretudo se a sua operação depende de integrações específicas com hardware DJI.

Importante: a decisão atual nos EUA não impede o uso de drones já aprovados, pelo que contratos em vigor não ficam automaticamente em risco. Ainda assim, é prudente abrir o leque de fornecedores, testar redundâncias e avaliar a interoperabilidade de payloads (câmaras térmicas, LiDAR, RTK) com outros fabricantes.

E o futuro do mercado de drones?
Restrições costumam reconfigurar ecossistemas. Podemos ver fabricantes ocidentais a acelerar ofertas para preencher espaços deixados vagos, desde modelos de entrada até plataformas modulares para empresas. Ao mesmo tempo, é provável que a DJI e outros players reforcem transparência sobre tratamento de dados, opções de armazenamento local e auditorias independentes, tentando responder às preocupações levantadas.

No curto prazo, consumidores beneficiam de concorrência acrescida e de inovação empurrada pela pressão regulatória. No médio prazo, poderá surgir fragmentação de normas entre regiões, com implicações para quem viaja com drones ou presta serviços internacionais. Harmonização e certificações cruzadas serão temas quentes em 2025.

Vive fora dos EUA? Ainda assim, fique atento
Embora esta seja uma medida dos EUA, debates semelhantes têm eco noutras geografias. Na Europa, a conversa é mais técnica e enquadrada pelas regras da EASA, mas as autoridades observam de perto a gestão de dados, telemetria e atualizações OTA. Se voa em Portugal, o essencial mantém‑se: cumprir categorias A1/A2/A3, manter firmware atualizado, respeitar zonas de exclusão e ter seguro de responsabilidade civil quando aplicável.

Para empresas com presença transatlântica, alinhe políticas internas: onde os dados são guardados, quem tem acesso, que encriptação é usada e como são geridos logs de voo. Estas medidas não só reduzem risco como facilitam auditorias futuras.

Checklist rápida para proprietários de drones
Confirme se o seu modelo está autorizado na sua região e mantenha o firmware oficial.
Faça backups e documente procedimentos de segurança de dados (incluindo telemetria e imagens).
Se depende do drone para trabalho, teste uma alternativa compatível e valide payloads.
Monitore comunicados do fabricante e de reguladores; atualizações podem afetar apps e geocercas.
Em viagens, verifique regras locais com antecedência; o que é permitido num país pode não ser noutro.
Conclusão
O travão imposto nos EUA a drones estrangeiros, com a DJI como protagonista involuntária, não aterra os aparelhos que já estão no ar. Para consumidores, a mensagem é de continuidade no curto prazo. Para a indústria, é um sinal para reforçar transparência, segurança e opções. O céu dos drones continua aberto — mas com novas rotas a serem desenhadas.

 

 

Fonte:da Redação e da maistecnologia.com
Reeditado para:Noticias do Stop 2025
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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