
No país, diversas actividades, como a deposição de coroas de flores e palestras, estão a ser realizadas, em homenagem aos heróis moçambicanas tombados pela Pátria.
Três de Fevereiro de 1969: Assassinato de Eduardo Chivambo Mondlane.
O dia da sua morte, assassinado por uma encomenda-bomba, é celebrado em todo o território nacional, como o Dia dos Heróis Moçambicanos, sumarizando o esforço de todos aqueles que tombaram pela independência de Moçambique
Filho de um chefe tradicional, Mondlane estudou na missão presbiteriana suíça próxima de Mandlakazi e depois na ex-cidade de Lourenço Marques. Terminou os seus estudos secundários numa escola da mesma igreja na África do Sul e, depois de uma curta passagem pela Universidade de Lisboa, obteve financiamento de suíços para fazer os estudos superiores nos Estados Unidos da América, onde se doutorou em Sociologia.
Trabalhou para as Nações Unidas, no Departamento de Curadoria, como investigador dos acontecimentos que levavam à independência dos países africanos e foi também professor de História e Sociologia na Universidade de Syracuse, em Nova Yorque. Nessa altura, estava-se na década de 50, Mondlane teve contactos com Adriano Morreira, um ministro português que queria recrutá-lo para trabalhar na administração colonial; Mondlane, por seu turno, tentou convencê-lo da necessidade de Portugal seguir o caminho dos restantes países, que estavam a dar independência às suas colónias africanas.
Em 1961, Eduardo Mondlane visitou Moçambique, a convite da Missão Suiça e teve contactos com vários nacionalistas, onde se convenceu que as condições estavam criadas para o estabelecimento de um movimento de libertação.
A UDENAMO-União Democrática Nacional de Moçambique, a MANU-Mozambique African National Union, e a UNAMI-União Nacional Africana para Moçambique Independente tinham sede em países diferentes e uma base social e étnica também diferentes, mas Mondlane tentou uni-las, o que conseguiu, com o apoio do presidente da Tanzânia, Julius Nyerere. A Frelimo foi criada na Tanzânia, com base naqueles três movimentos, em 25 de Junho de 1962 e Mondlane foi eleito seu primeiro presidente, com Uria Simango como Vice-Presidente.
Nessa altura, Mondlane já tinha chegado à conclusão de que não seria possível conseguir a independência de Moçambique sem uma guerra de libertação, mas era necessário desenhar uma estratégia e obter apoios para levar a cabo, o que Mondlane começou a fazer. Os primeiros guerrilheiros foram treinados na Argélia e, entre eles, contava-se Samora Machel que o substituiria após a sua morte. Os seguintes foram treinados na Tanzânia, onde a Frelimo organizou ainda uma escola secundária, o Instituto de Moçambique.
A luta armada foi desencadeada em 25 de Setembro de 1964, com o ataque de um pequeno número de guerrilheiros ao posto administrativo de Chai, na província de Cabo Delgado. A cerca de 100 quilómetros da fronteira com a Tanzânia. Para além das acções militares, a Frelimo organizou um sistema de comércio para apoiar as acções de guerrilha.
Em Março de 1968, verificou-se um motim, seguido pelo abandono quase maciço dos estudantes que, mais tarde, se descobriu ter sido despoletado por descontentes dentro do Movimento. Em Maio, uma multidão invadiu os escritórios da Frelimo e assassinou um dos membros do Comité Central, Mateus Sansão Muthemba- essas pessoas exigiam a independência imediata de Cabo Delgado. Embora com contradições agudizadas, o Comité Central realizou em Matchedje, nas zonas libertadas do Niassa, o segundo Congresso do Movimento, em Julho de 1968.
Nesse congresso, Eduardo Mondlane foi reeleito como presidente e Urias Simango como vice-presidente, mas foi ainda criado um conselho executivo, que incluía a presidência e os chefes dos departamentos. O mais importante foi que o congresso reafirmou a política definida de lutar pela independência total e completa de Moçambique e não apenas de parte dele.
A 3 de Fevereiro de 1969, Eduardo Mondlane morreu ao abrir uma encomenda que continha uma bomba. Mais tarde, descobriu-se que a encomenda tinha sido preparada em Lourenço Marques, pela PIDE, a polícia secreta portuguesa.
Mondlane deixou viúva Janet Mondlane e três filhos, Eduardo Mondlane Júnior, Nyelete e Chude.
Para o país, Mondlane deixou um legado muito importante, o livro com o título “Lutar por Moçambique”, que só foi publicado alguns meses depois da sua morte, onde detalha como funcionava o sistema colonial em Moçambique e o que seria necessário para desenvolver o país.
Fonte:RM
Reditado para:Noticias do Stop 2016
