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Limitar aquecimento global a 1,5° C: realidade ou quimera?

Aquecimento global: "Será muito difícil, se não impossível, manter o aquecimento em 1,5º C durante todo o século XXI"

Mundo
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Os cientistas, no entanto, consideram que cumprir esta meta é quase uma quimera.

Com ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, que se comemora anualmente em 5 de junho, a AFP reuniu a opinião de especialistas sobre o tema.

"Será muito difícil, se não impossível, manter o aquecimento em 1,5º C durante todo o século XXI", opina Jeori Rogelj, do Instituto Internacional para a Análise de Sistemas Aplicados em Laxenburg, na Áustria.

Inclusive nos cenários mais otimistas, as emissões de gases do efeito estufa poderiam fazer com que o planeta ultrapasse esse limiar antes de 2050, afirma o cientista à AFP, visto que o termômetro já subiu 1º C desde a era pré-industrial.

Mesmo que eliminássemos amanhã todas as máquinas que funcionam à base de petróleo, gás ou carvão, os gases já presentes na atmosfera continuariam fazendo subir a temperatura.

"Depende de se somos capazes de retirar grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera", diz Rogelj, lembrando que, no estado de conhecimento atual, a indústria não domina a técnica de captação e armazenamento de CO2 em grande escala.

Além disso, o mundo continua sendo muito dependente das energias fósseis - responsáveis por 80% das emissões mundiais de gases do efeito estufa -, mesmo com a contínua evolução das energias renováveis, que correspondem a uma parte cada vez maior da produção de eletricidade.

Levará tempo

Mesmo que o acordo adotado em dezembro em Paris acelere a transição energética, esta levará tempo.

Desde 2009, quando foi realizada a COP de Copenhague, os negociadores já discutiam sobre a proposta de não ultrapassar os 2º C.

Na COP-21 de Paris, esse aumento e os impactos que ele implica - subida do nível dos oceanos, agravamento das secas ou fortes tempestades - fizeram com que os países pobres e os estados insulares, os mais expostos, pressionassem para que um objetivo mais ambicioso fosse alcançado.

"Incluir no acordo o aumento de até 1,5ºC era um objetivo moral", considera Saleemul Huq, diretor do Centro Internacional sobre as Mudanças Climáticas e o Desenvolvimento em Daca, em Bangladesh.

Os grandes Estados emergentes e os países exportadores de petróleo, preocupados com o impacto que este acordo teria nas suas economias dependentes das energias fósseis, rejeitaram a proposta.

Finalmente, se chegou a um consenso: a comunidade internacional se comprometeu a limitar a subida da temperatura "muito abaixo dos 2º C" e a "continuar os esforços" para alcançar a meta dos 1,5º C.

Como reduzir o nível das emissões e em que prazo ainda são duas das muitas zonas cinzentas do texto de Paris.

O Grupo Intergovernamental de Especialistas Sobre a Evolução do Clima (Giec), a autoridade científica de referência sobre o clima, considera que seria necessário reduzir as emissões entre 40% e 70% antes de 2050 para que haja alguma possibilidade de alcançar a meta dos 2ºC.

Consciente da extrema dificuldade da tarefa e assumindo que os países não estarão à altura, Saleemul Huq insiste que o acordo "é a vara que utilizaremos para fustigar todo mundo e fazer com que vão mais rápido".

 

 

 

 

 

 

Fonte:AFP

Reditado por: Stop Noticias 2016

Tópicos:Aquecimento global, Clima, COP 21

Fotografias: Getty Images

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