
Depois da polémica omissão de Alain Delon na edição do ano passado, Óscares voltam a gerar polémica com ausências de peso na secção "In Memoriam", em particular da atriz e cantora francesa Brigitte Bardot, "sex-symbol" para várias gerações.
Apesar de os Óscares de 2026 terem incluído um segmento In Memoriam alargado para homenagear artistas e cineastas que morreram no último ano, alguns nomes de grande destaque
estiveram visivelmente ausentes da homenagem transmitida.
Entre os excluídos estavam James Van Der Beek, tornado célebre com a série Dawson’s Creek, e Bud Cort, protagonista do filme de culto de 1971 Harold and Maude. Foi, no entanto, a ausência de Brigitte Bardot que gerou maior polémica, com alguns a especular que as posições políticas que defendeu na fase final da vida terão sido o motivo.
O segmento deste ano incluiu uma despedida emocionada, feita pelo protagonista de When Harry Met Sally, Billy Crystal, ao ator e realizador Rob Reiner e à sua mulher, a produtora Michele Reiner. Mais à frente no segmento, Barbra Streisand cantou um excerto do filme de 1973 O Nosso Amor de Ontem para homenagear o amigo e colega de elenco Robert Redford.
Com o tempo adicional dedicado a tributos a figuras específicas da indústria cinematográfica, a omissão de Bardot sobressaiu de forma particularmente evidente.
Apesar de ter sido excluída da homenagem televisiva, Bardot continuou a constar da lista alargada In Memoriam no site da Academia, onde é também mencionado o português João Canijo, morto em janeiro.
A decisão de não incluir Bardot na cerimónia em direto gerou reações diversas nas redes sociais. Um utilizador recorreu ao X escrevendo: “Presumo que tenham sido excluídos por causa da política, mas o papel da Academia é recordá-los pelas contribuições para o cinema. Eu também não concordo com as posições políticas deles, mas posso, ainda assim, celebrá-los pelas interpretações no ecrã.”
Outro utilizador respondeu dizendo: “Não fico propriamente triste por uma mulher condenada várias vezes por incitamento ao ódio ter sido excluída.”
Gafe
Bardot não é a primeira estrela francesa a ficar de fora do In Memoriam de Hollywood. No ano passado, a Academia também foi criticada por não mencionar o ícone do grande ecrã Alain Delon no mesmo segmento.
Tal como Bardot, também ele gerou polémica pelas suas posições políticas, tendo-se descrito como “macho” e admitido ter dado bofetadas a mulheres com quem manteve relações.
O ator, conhecido sobretudo pelos papéis em O Leopardo (1963), O Samurai (1967) e A Piscina (1968), abordou a controvérsia numa entrevista publicada no Le Journal du Dimanche: “Disse que dei uma bofetada a uma mulher? Sim. E devia ter acrescentado que levei mais bofetadas do que aquelas que dei. Na minha vida, nunca assediei uma mulher”, afirmou.
Bardot, popularmente conhecida pelas iniciais BB, participou em vários filmes ao longo das décadas de 1950 e 1960, incluindo O Desprezo, de Jean-Luc Godard, e ficou consagrada como sex symbol da Nova Vaga francesa. Acabaria por se retirar da indústria cinematográfica e dedicar-se ao ativismo pelos direitos dos animais. Morreu em dezembro passado, na sua casa de La Madrague.
Para alguns, porém, o lugar de Bardot na história fica ensombrado pelas suas posições políticas de extrema-direita, incluindo a proximidade com membros da Frente Nacional francesa (atual Rassemblement National), comentários considerados racistas e uma postura anti-imigração.
Foi condenada cinco vezes pelos tribunais franceses por incitamento ao ódio racial. No livro “Mon BBcédaire”, publicado poucos meses antes da morte, Bardot escreveu que os políticos de direita eram o “único remédio urgente para a agonia de França”.
Um tributo à estrela francesa nos Césars - o equivalente francês aos Óscares - em fevereiro foi recebido com vaias do público e um grito de “racista!”.
Fonte:da Redação e da euronews.com
Reeditado para:Noticias do Stop 2026
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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