A ex‑ministra da Educação de Moçambique e reconhecida activista social, Graça Machel, dirigiu‑se à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) pedindo que o bloco rompa o silêncio em relação ao aumento de incidentes xenófobos que têm atingido cidadãos estrangeiros residentes na África do Sul. Machel alertou que a SADC tem deixado de cumprir os seus mandatos fundadores de promover a paz, a segurança e a integração regional, ao não reagir de forma contundente às violências que afetam migrantes de países vizinhos, entre eles moçambicanos. Nos últimos meses, a África do Sul tem sido palco de ataques contra estrangeiros, com relatos de agressões físicas, destruição de propriedades e até mortes. As vítimas, muitas vezes provenientes de países da região oriental da África, denunciam falta de proteção das autoridades sul‑africanas e acusam a SADC de permanecer passiva. Para Machel, a omissão do organismo não só compromete a segurança dos migrantes, como também mina a credibilidade da própria SADC enquanto guardiã dos princípios de solidariedade e cooperação entre os seus vinte e dois membros. A ex‑ministra apelou a uma resposta coletiva que inclua a condenação pública dos atos xenófobos, a instauração de mecanismos de monitorização e a implementação de medidas de proteção para os migrantes que se deslocam em busca de oportunidades de trabalho e estudo. Segundo ela, a SADC deve retomar o seu papel de mediador e garantir que os direitos humanos sejam respeitados em toda a região. O pedido de Graça Machel chega num momento em que a comunidade internacional tem intensificado a pressão sobre a África do Sul para que adote políticas mais inclusivas e combata a retórica de exclusão que tem alimentado a violência contra estrangeiros.
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Quinta‑feira, 9 de julho, o Sudão do Sul completa quinze anos desde que se tornou a nação mais nova da África, ao romper com o Sudão em 2011. Ao contrário de outras comemorações de independência, o país não organizou eventos oficiais nem manifestações de júbilo. A ausência de festas reflete a dura realidade que tem marcado a história da jovem república. Desde a assinatura do Acordo de Paz de 2018, o Sudão do Sul tem sido assolado por conflitos intermitentes que reavivam a guerra civil que eclodiu poucos anos após a independência. As hostilidades têm causado deslocamentos massivos, com mais de quatro milhões de pessoas forçadas a abandonar as suas casas, e deixado o país numa grave crise humanitária, caracterizada por escassez de alimentos, surtos de doenças e colapso dos serviços básicos. A economia, dependente quase que exclusivamente do petróleo, viu‑se vulnerável à queda dos preços internacionais e à instabilidade política, o que agravou ainda mais a situação de pobreza da população. A falta de celebrações nesta data simbólica evidencia o descontentamento e a fadiga de um povo que ainda luta por paz duradoura e por um futuro mais estável. Organizações internacionais continuam a apelar ao governo e aos grupos armados para que se respeitem os acordos de cessar‑fogo e se dê prioridade à reconciliação nacional. Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha de perto os esforços de reconstrução, na esperança de que, ao fim de quinze anos, o Sudão do Sul possa finalmente transformar a sua independência em um marco de progresso e não apenas de sofrimento.
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Seis cidadãos moçambicanos regressaram ao país depois de terem sido submetidos a duas meses de exploração laboral na República Centro‑Africana (RCA). A volta dos trabalhadores foi possível graças à intervenção das autoridades consulares, que conseguiram garantir o seu retorno seguro. Ainda que o caso tenha sido parcialmente resolvido, oito compatriotas permanecem retidos na RCA, à espera de apoio para regressarem a Moçambique. Todos foram atraídos para o país vizinho por um cidadão de origem chinesa que lhes prometeu emprego estável e salários elevados, mas que acabou por envolver‑os em condições de trabalho abusivas e sem as devidas garantias legais. As autoridades de Moçambique já iniciaram contactos com a embaixada da RCA e com as entidades de segurança para esclarecer a situação dos detidos e assegurar a sua libertação. O episódio evidencia a necessidade de reforçar a vigilância sobre esquemas de recrutamento irregular e de informar a população sobre os riscos de aceitar ofertas de emprego não verificadas, sobretudo quando estas são mediadas por terceiros desconhecidos.
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Mais de trinta cidadãos moçambicanos encontram‑se há quase um mês a viver ao relento junto à fronteira de Ressano Garcia, no distrito de Maputo, ao lado da África do Sul. A maioria fugiu de episódios de violência xenófoba que se registaram nas áreas fronteiriças, enquanto outros perderam o contacto com as suas famílias e não conseguem regressar às suas comunidades de origem. Os deslocados improvisaram acampamentos improvisados nas margens da estrada que liga Maputo a Johannesburg, sem acesso a água potável, saneamento básico ou assistência médica. Muitos dependem da solidariedade de transeuntes e de algumas organizações não governamentais que, embora presentes, não dispõem de recursos suficientes para atender a todas as necessidades básicas. A situação é agravada pela incerteza jurídica: os refugiados não têm documentos de viagem nem garantias de acolhimento por parte das autoridades sul‑africanas, o que impede a regularização da sua situação. As autoridades de Maputo ainda não divulgaram medidas concretas para repatriar ou reassentar estas famílias, embora o Ministério da Segurança e da Defesa tenha referido que está a monitorizar o caso. Organizações da sociedade civil apelam ao governo para a criação de um plano de emergência que inclua alojamento temporário, apoio alimentar e assistência psicossocial, bem como a reconstituição dos laços familiares que foram interrompidos. Enquanto isso, os deslocados permanecem vulneráveis a condições climáticas adversas e a possíveis novos episódios de hostilidade. A situação evidencia a necessidade urgente de uma resposta coordenada entre Moçambique e a África do Sul, bem como do apoio de organismos internacionais, para garantir a dignidade e a segurança dos moçambicanos que se viram forçados a abandonar as suas casas. O governo moçambicano tem de agir rapidamente, implementando estratégias de proteção e reintegração que evitem que estas pessoas continuem a viver à margem da sociedade.
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A ex‑ministra da Educação de Moçambique e reconhecida activista social, Graça Machel, lançou um apelo público à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para que a organização rompa o silêncio perante a escalada de incidentes xenófobos dirigidos a imigrantes que vivem na África do Sul. Machel argumenta que a SADC tem deixado de cumprir a sua missão original de promover a paz, a segurança e a cooperação entre os Estados membros, ao não intervir de forma eficaz contra a violência que tem atingido cidadãos de nacionalidade moçambicana, entre outros, que se deslocam ao país vizinho em busca de oportunidades. Nos últimos meses, relatos de agressões, assaltos e até homicídios motivados por hostilidade contra estrangeiros têm sido amplamente divulgados na mídia sul‑africana. Estas ocorrências não só põem em risco a vida dos imigrantes, como também ameaçam os laços históricos de solidariedade e integração que caracterizam a região sul‑africana. Graça Machel sublinhou que, enquanto a SADC permanece inerte, os Estados membros perdem credibilidade perante as suas populações e diante da comunidade internacional, que espera respostas concretas a violações de direitos humanos. A activista conclamou a SADC a adotar medidas imediatas, como a emissão de declarações conjuntas condenando a xenofobia, a implementação de mecanismos de monitorização e a criação de protocolos de proteção para os cidadãos estrangeiros que residem na África do Sul. Segundo Machel, tais ações são essenciais para restabelecer a confiança nas instituições regionais e para garantir que a região continue a ser um espaço de cooperação e respeito mútuo. Em conclusão, Graça Machel reforçou que a luta contra a xenofobia não pode ser tratada como um problema isolado de um único país, mas como uma questão que afeta toda a comunidade da África Austral. A sua mensagem à SADC é clara: é hora de revitalizar o compromisso da organização com os princípios fundadores de paz e solidariedade, adotando respostas firmes e coordenadas que protejam os direitos humanos de todos os residentes da região.
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Quinze anos depois de proclamar a sua independência, o Sudão do Sul celebra hoje um marco que deveria ser motivo de orgulho, mas que tem sido marcado por silêncio e sofrimento. Na quinta‑feira passada, a jovem nação africana não organizou quaisquer eventos oficiais ou manifestações populares para comemorar a data, refletindo a dura realidade de um país que voltou a ser assolado por conflitos armados logo após a libertação. A independência, oficialmente declarada em 9 de julho de 2011, representou a esperança de um futuro de paz, estabilidade e desenvolvimento para uma população que há décadas lutava contra a marginalização no Sudão. Contudo, apenas dois anos depois, em dezembro de 2013, eclodiu uma guerra civil que dividiu o país entre facções rivais, provocando deslocamentos massivos, fome e uma crise humanitária que ainda persiste. Apesar de vários acordos de cessar‑fogo assinados – entre eles o Acordo de Revitalização da Paz de 2018 – a violência intermitente e as tensões políticas continuam a impedir a consolidação de um Estado funcional. A ausência de celebrações oficiais também revela a fragilidade das instituições governamentais. O orçamento nacional tem sido consumido por despesas militares e por ajuda internacional destinada a aliviar a crise humanitária, deixando escassos recursos para eventos cívicos ou campanhas de sensibilização. Além disso, a população, ainda marcada por perdas de entes queridos e pela insegurança alimentar, demonstra pouco entusiasmo para festejar um aniversário que, para muitos, ainda traz à memória a promessa não cumprida de paz e prosperidade. A comunidade internacional tem mantido a atenção no Sudão do Sul, oferecendo apoio humanitário e mediando negociações de paz, mas os resultados ainda são limitados. Enquanto isso, a juventude sul‑sudanesa enfrenta desafios de acesso à educação, ao emprego e à saúde, num contexto onde a infraestrutura básica – estradas, energia elétrica e água potável – permanece subdesenvolvida. Em conclusão, os quinze anos de independência do Sudão do Sul são, sobretudo, um convite à reflexão sobre os custos de um processo de libertação que ainda não se traduziu em estabilidade. A falta de comemorações evidencia a necessidade urgente de avançar nas negociações de paz, de fortalecer as instituições civis e de garantir que os recursos destinados ao desenvolvimento cheguem efetivamente à população. Só assim a data poderá, no futuro, ser celebrada como um verdadeiro símbolo de conquista e esperança para todo o país.
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Seis cidadãos moçambicanos regressaram ao país depois de terem sido vítimas de exploração laboral na República Centro‑Africana (RCA). Segundo as autoridades, os trabalhadores foram aliciados por um cidadão de origem chinesa que lhes garantiu emprego estável e salários elevados, promessa que se revelou falsa. Durante cerca de dois meses, os seis retornados foram submetidos a jornadas exaustivas, condições de trabalho precárias e remuneração muito inferior ao acordado. A situação ainda não está resolvida para todos os migrantes. Outros oito moçambicanos permanecem retidos na RCA, aguardando apoio para o regresso. O Ministério do Trabalho, da Segurança Social e da Inclusão, em conjunto com a Embaixada de Moçambique em Bangui, está a coordenar esforços para garantir a libertação e o retorno seguro desses compatriotas. Organizações não governamentais que atuam na proteção dos direitos dos migrantes também foram mobilizadas para prestar assistência jurídica e psicológica. Este caso evidencia a vulnerabilidade de trabalhadores moçambicanos que, em busca de melhores oportunidades, aceitam propostas de recrutamento informal e sem a devida verificação. As autoridades recomendam que os cidadãos recorram exclusivamente a agências de emprego reconhecidas e solicitem a documentação necessária antes de aceitar ofertas no exterior. A cooperação entre Moçambique e a República Centro‑Africana, bem como a vigilância sobre redes de recrutamento fraudulentas, são fundamentais para evitar novos episódios de exploração. Em conclusão, o regresso dos seis trabalhadores marca um passo positivo, mas a situação dos restantes oito reforça a necessidade de políticas mais rigorosas de proteção ao migrante e de campanhas de sensibilização que alertem sobre os riscos de promessas de emprego irrealistas.
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